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Nada será como antes

11/05/2020 às 12:04
Nada será como antes

O mundo será diferente após a covid-19. Muitos conceitos, forma de agir, cuidados com saneamento básico, investimentos na saúde, melhor escolha de políticos virão numa escala sem volta.

O futebol não vai fugir desta realidade.

Aqui no Brasil sobram estádios e faltam hospitais. A Copa de 2014 revelou a mania de grandeza de um país pobre. 

O governo queria 18 sedes e custou a ser convencido de que 12 seriam o bastante. Os elefantes brancos estão à mostra. Construídos com a pressa de sempre escancaram a farra de exageros e gastos malucos.

A cada dia estamos sempre noticiando atrasos de pagamentos nos clubes, dívidas na FIFA, corte de água e energia, causas na justiça e passivos assustadores num vexame sem fim.

Não adianta colocar a culpa no Coronavirus. A tragédia vem de longo tempo, sem perspectiva de ser aliviada, e garantir a sobrevivência de nossos clubes centenários nos próximos anos.

Cruzeiro e Atlético também entraram nessa loucura, começaram a comprar jogadores, contratar comissões técnicas, pagar salários de futebol europeu e viram da noite para o dia dívidas se aproximando do bilhão de reais. 

Um presidente de clube não é responsabilizado pelas bobagens ou desonestidades e joga para a diretoria seguinte uma carga incrível de responsabilidades e a próxima para a próxima num carrossel sem fim.

Para rolar as dívidas, Atlético e Cruzeiro estão com suas receitas comprometidas até quando... não se sabe. E não adianta ficar esperando ajuda do Governo Federal porque o nosso país tem problemas muito maiores do que este.

Há exceções a registrar. Clubes de menos expressão nacional, como Fortaleza, Bahia, Atlético Paranaense e Ceará, já caíram na real e pararam para pensar.

O Furacão, tem ganhado títulos com receita muito menor e um profissionalismo invejável, criando jogadores na sua base e contratando com prudência e competência.

O grande Corinthians está com água até o pescoço, três grandes do Rio, Vasco, Botafogo e Fluminense, estão diminuindo de tamanho e relevância e até o Flamengo passou a gastar o mesmo que arrecada e agora reduz salários e dispensa funcionários.

Alguma coisa tem que ser feita, urgentemente, antes que o caos se instale.

A paixão do torcedor cobra grandes equipes, craques, gastos, reforços e títulos.

Desculpem esta ponta de pessimismo num momento tão dramático com a pandemia que nos assola.

Mas não coloquem a culpa nela, que é a consequência, não a causa dos nossos males dentro e fora das quatro linhas.

Nos próximos dias, vamos celebrar a volta da bola, recuperar a alegria dos estádios, matar a saudade deste esporte mágico que se chama futebol.

Mas, prestem atenção, nada será como antes. 

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